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terça-feira, junho 01, 2010

A Espanha ali...na Osvaldo Aranha

Meu post de hoje vai ser interessante pra quem mora em Porto Alegre, mas acredito que aos futuros visitantes também é válido. Aliás, se virem a Porto Alegre, considerem a visita que indicarei abaixo. Vale muito a pena.
Não tem nada de regionalismo, na verdade é uma dica que nos leva direto pra Espanha. Já fomos duas vezes a este restaurante e em ambas desfrutamos de momentos muito especiais e como está chegando o Dia do Namorados, é PERFEITO!!!

O lugar chama-se Tablado Andaluz (Restaurante), sim porque tem a escola de dança dos mesmo donos. Fomos em duas sexta-feira e foi uma experiência incrível. Na primeira vez quem estava cantando era um menina, na qual não sei o nome, mas sei que ela cantava reggae na Cidade Baixa, “tudo a ver” né?! Mas a menina tem uma voz pra cantar música flamenca, que é de ouro. Juro, faz chorar de emoção.


Na segunda vez fomos com um casal de amigos e quem estava cantando era um moço, no qual também não sei o nome. Ele fica por longos períodos na Espanha e quando volta sempre participa lá no Tablado. Também muito bonita a apresentação, mas não emociona tanto quanto a voz da menina. Nessa vez ainda tivemos o privilégio de ter uma espanhola visitando e ela deu um show no tablado, cansei só de olhar. Ela arrasou no sapateado.

A comida (paellas Mariñera, Valenciana, Campera, Vegetariana) são feitas pela Andréa, que também é professora e que após a cozinha ela some por 10 minutos e volta transformada pro palco e arrasa. Arrasa na cozinha e no palco. Parabéns pra ela!!!
Tem também Robinson Gambarra que é professor, antes da apresentação ele serve os vinhos, sangria (que já sei fazer e faz sucesso aqui em casa) e as tapas. E depois, é outro que “incorpora” e arrasa no palco.

O lugar, fica ali na Osvaldo 476, numa esquina logo depois da escola de dança Flamenca. A entrada é uma portinha pequena e você sobe uma escada de madeira, algo no inicio estranho pra quem está acostumado a restaurantes pomposos. Lá dentro é todo decorado ao estilo espanhol, lugar simples mas aconchegante. A sensação é de que você não está em Porto Alegre, como se fosse um portal depois da portinha (rs). Regado a vinho, demora um pouco pra escutar o tocar do sino, uma vez tocado significa que “abriu os trabalhos” pra paella e todos podem servir-se. Após a janta vem o show...pra nós algo realmente lindo de se apreciar. Vale a pena!!!

Nota: Acessem o site oficial do Tablado antes de ir, pois eles tem programações diferentes conforme o dia da semana.

sábado, maio 22, 2010

Dia das Mães tardio...

É tarde para escrever post de Dia das Mães, bem tarde mesmo. Porém, já é normal os filhos falarem que todos os dias é Dia das Mães (óóó, a-d-o-r-o) e lendo a Veja de 12 de Maio me deparo com um texto da maravilhosa Lya Luft (minha filhota tem o Histórias de Bruxa Boa e vale a pena para os pequenos, viu mamães?!) no qual não resisti. Preciso replicar ele aqui para que minhas amigas mamães tenham o prazer de lê-lo. Nem vou escrever mais, deixa que a Lya Luft fale por todas as mães:

A canção de qualquer mãe

Que nossa vida, meus filhos, tecida de encontros e desencontros, como a de todo mundo, tenha por baixo um rio de águas generosas, um entendimento acima das palavras e um afeto além dos gestos – algo que só pode nascer entre nós. Que quando eu me aproxime, meu filho, você não se encolha nem um milímetro com medo de voltar a ser menino, você que já é um homem. Que quando eu a olhe, minha filha, você não se sinta criticada ou avaliada, mas simplesmente adorada, como desde o primeiro instante.

Que, quando se lembrarem de sua infância, não recordem os dias difíceis (vocês nem sabiam), o trabalho cansativo, a saúde não tão boa, o casamento numa pequena ou grande crise, os nervos à flor da pele – aqueles dias em que, até hoje arrependida, dei um tapa que ainda agora dói em mim, ou disse uma palavra injusta. Lembrem-se dos deliciosos momentos em família, das risadas, das histórias na hora de dormir, do bolo que embatumou, mas que vocês, pequenos, comeram dizendo que estava maravilhoso. Que pensando em sua adolescência não recordem minhas distrações, minhas imperfeições e impropriedades, mas as caminhadas pela praia, o sorvete na esquina, a lição de casa na mesa de jantar, a sensação de aconchego, sentados na sala cada um com sua ocupação.

Que quando precisarem de mim, meus filhos, vocês nunca hesitem em chamar: mãe! Seja para prender um botão de camisa, ficar com uma criança, segurar a mão, tentar fazer baixar a febre, socorrer com qualquer tipo de recurso, ou apenas escutar alguma queixa ou preocupação. Não é preciso constrangerem-se de ser filhos querendo mãe, só porque vocês também já estão grisalhos, ou com filhos crescidos, com suas alegrias e dores, como eu tenho e tive as minhas. Que, independendo da hora e do lugar, a gente se sinta bem pensando no outro. Que essa consciência faça expandir-se a vida e o coração, na certeza de que aquela pessoa, seja onde for, vai saber entender; o que não entender vai absorver; e o que não absorver vai enfeitar e tornar bom.

Que quando nos afastarmos isso seja sem dilaceramento, ainda que com passageira tristeza, porque todos devem seguir seu caminho, mesmo que isso signifique alguma distância: e que todo reencontro seja de grandes abraços e boas risadas. Esse é um tipo de amor que independe de presença e tempo. Que quando estivermos juntos vocês encarem com algum bom humor e muita naturalidade se houver raízes grisalhas no meu cabelo, se eu começar a repetir histórias, e se tantas vezes só de olhar para vocês meus olhos se encherem de lágrimas: serão apenas de alegria porque vocês estão aí. Que quando pareço mais cansada vocês não tenham receio de que eu precise de mais ajuda do que vocês podem me dar: provavelmente não precisarei de mais apoio do que do seu carinho, da sua atenção natural e jamais forçada. E, se precisar de mais que isso, não se culpem se por vezes for difícil, ou trabalhoso ou tedioso, se lhes causar susto ou dor: as coisas são assim. Que, se um dia eu começar a me confundir, esse eventual efeito de um longo tempo de vida não os assuste: tentem entrar no meu novo mundo, sem drama nem culpa, mesmo quando se impacientarem. Toda a transformação do nascimento à morte é um dom da natureza, e uma forma de crescimento.

Que em qualquer momento, meus filhos, sendo eu qualquer mãe, de qualquer raça, credo, idade ou instrução, vocês possam perceber em mim, ainda que numa cintilação breve, a inapagável sensação de quando vocês foram colocados pela primeira vez nos meus braços: misto de susto, plenitude e ternura, maior e mais importante do que todas as glórias da arte e da ciência, mais sério do que as tentativas dos filósofos de explicar os enigmas da existência. A sensação que vinha do seu cheiro, da sua pele, de seu rostinho, e da consciência de que ali havia, a partir de mim e desse amor, uma nova pessoa, com seu destino e sua vida, nesta bela e complicada terra. E assim sendo, meus filhos, vocês terão sempre me dado muito mais do que esperei ou mereci ou imaginei ter.

Lya Luft

Publicado na Veja Edição 2164 – ano 43 – nº 19
12 de Maio de 2010
Photo Credit: Leo.Villanova

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